Me chamam de Raposa, mas não sei direito o que eu sou, na verdade. Tenho essa forma de raposa pois é a que mais tem afinidade com o que sou por dentro mas, apesar de minha protegida me achar linda, minha aparência é horrorosa. Tenho dentes grandes e pontudos que mal cabem na minha boca, olhos grandes amarelados e, não importa o que eu faça, meu pelo avermelhado está sempre bagunçado e arrepiado.
Sei que posso mudar minha aparência se necessário, mas por incrível que pareça, estou confortável neste corpo. Pode ser feio, esquisito e até me assustar às vezes mas é meu, foi feito só para mim e para mais ninguém.
Quando contei isso ao Gato, ele disse que estava feliz por mim pois tinha conseguido fazer de mim meu próprio lar. Nós não nos damos muito bem na maior parte do tempo, mas fiquei feliz com esse comentário em específico, principalmente porque o mesmo me fez levantar uma série e perguntas.
E quando perguntas surgem, a confusão vai embora!
Raposa: "Como assim 'lar'?"
Gato: "Lar, onde você se sente confortável e seguro não importa as circunstâncias. É o lugar ao qual você verdadeiramente pertence e vê isso com clareza."
Raposa: "Existem pessoas que não veem seus lares com clareza?"
Gato: "A maioria não vê. Elas fazem questão de apontar defeitos, reclamar de tudo e acabam destruindo esse sentimento de pertencimento. Idealizam um lugar one não existem regras ou responsabilidades e só depois de rodarem o mundo em busca desta utopia é que percebem que a definição de lar não é "lugar perfeito". Sequer precisa ser um lugar só, na verdade. Em qualquer ambiente que tenha vibrações de afeto que são perceptíveis aos sentidos já pode ser considerado um lar.."
Raposa: "Então... quer dizer que eu sou meu próprio lar porque tenho afeto por mim mesma?"
Gato: "Exatamente"
Raposa: "He, he, que jeito engraçado de definir amor próprio."
Gato: "..."
E a conversa acabou aí. O Gato não gosta muito de falar de nenhum tipo de amor. Não sei por quê. Amor é um assunto tão vasto e interessante!
Por exemplo: o amor não tem condições. Ou forma. Ou tamanho. Ou limites!
Minha protegida sempre conversa comigo sobre amor quando o Gato não está perto.
Amor é o melhor sentimento que alguém pode sentir. Ela me pergunta como é e sempre repito que ela já sabe a sensação! O problema é que aquele bichano emburrado nunca a deixa acreditar em mim. Ele diz que os sentimentos dela são infantilidades e que ela vai parar com essas coisas quando crescer, No entanto, toda vez que ele diz isso vejo os olhinhos dela buscarem os meus como se procurassem uma confirmação minha.
Nego sempre.
O amor é o que nos faz crescer, amadurecer, evoluir.
Ele nos faz mais fortes, nos protege dos males do mundo nos conectando com lado bom de tudo.
Só com ele é que podemos conhecer a verdadeira beleza da vida. Aquela que está nas coisas mais simples como em um vôo de um pássaro, no perfume de uma flor, na melodia de uma música, em um gesto de carinho.
Ela sabe disso. Eu sei que ela sabe. E ela também sabe que sabe,
Mas aquele gato maldito só a faz pensar que essa sabedoria é ingenuidade e quem sai rotulada como má influência sou eu.
Eu sou o coração, eu sou a emoção, eu sou perigosa. Por isso sou seu
"lado negro".
Ou pelo menos foi isso o que o Gato lhe disse,
Por muito tempo fiquei em segundo plano, escondida nas sombras, mas chegou a hora de mostrar ao que vim. Este show também é meu e não vou deixar ninguém roubar a minha cena, principalmente aquele felino ridículo que não aceita ser meu companheiro de palco.
O caderno de garota especial, seus dois guias espirituais e suas anotações de suas aventuras introspectivas.
segunda-feira, 29 de junho de 2015
domingo, 21 de junho de 2015
Brincadeira de criança
(Em um dia de inverno, em um campo perto de um galinheiro, a Raposa tentava dormir em sua toca, quando a Galinha e seus pintinhos saíram para almoçar. Os pintinhos, por sua vez, hesitaram a sair do galinheiro. Dona Galinha começa a chamá-los e, como estava sem sono de qualquer jeito, a Raposa decide assistir.)
Galinha: "Meus pintinhos, venham cá!"
Pintinhos: "Tenho medo da Raposa!"
Raposa: "..."
Galinha: "Mas a Raposa não faz mal!"
Pintinhos: "Faz sim!"
Raposa: (choraminga, magoada)
Galinha: (sem jeito)"...Mas a Raposa está dormindo!"
Pintinhos: "Ela pode acordar!"
Galinha: (suspiro) "Vocês querem minhoca?"
Pintinhos: "Não!"
Galinha: "Vocês querem milho?!"
Pintinhos: "Sim!"
Galinha: "Tenho milho pra te dar!"
Pintinhos: (correndo para fora do galinheiro)
Raposa: (se empolga e pula da toca)"Milho!!!"
(Todos olham para a Raposa. Os Pintinhos ficam assustados e fogem correndo para dentro do galinheiro. A Galinha se aproxima da Raposa com uma expressão nada satisfeita.)
Galinha: "Raposa, o que faz acordada nessa época do ano?! Você deveria estar dormindo"
Raposa: "..."
Galinha: (balançando a cabeça) "Não, não, Raposa. Não é assim que as coisas funcionam."
"Olhe, você não pode se expor desse jeito! As pessoas não estão preparadas para ver como você é. Elas têm medo de você, e quando não têm, querem caçá-la!" (suspira) "Onde está o Gato? Ele deveria estar tomando conta de você"
Raposa: "O Gato saiu para viver a minha vida em meu lugar, Galinha. Todo ano é assim.. Mas estou cansada de perder meu lugar no mundo para um felino cretino e sem sentimentos que não sabe cuidar da própria protegida."
Galinha: "E o que você pode fazer?"
Raposa: (hesita) (abaixa a cabeça) "Obedecer às ordens do Gato e de minha protegida e ir dormir"
Galinha: "E o que você faz acordada nessa época do ano, Raposa?"
Raposa: (levanta a cabeça) "Eu cansei de obedecer ordens"
(A Raposa foge para as campinas congeladas à procura do Gato de da Protegida. A Galinha a observa por um tempo antes de ir buscar seus filhotes no galinheiro)
Galinha: "Pelo menos meus filhotes vão poder comer em paz."
Galinha: "Meus pintinhos, venham cá!"
Pintinhos: "Tenho medo da Raposa!"
Raposa: "..."
Galinha: "Mas a Raposa não faz mal!"
Pintinhos: "Faz sim!"
Raposa: (choraminga, magoada)
Galinha: (sem jeito)"...Mas a Raposa está dormindo!"
Pintinhos: "Ela pode acordar!"
Galinha: (suspiro) "Vocês querem minhoca?"
Pintinhos: "Não!"
Galinha: "Vocês querem milho?!"
Pintinhos: "Sim!"
Galinha: "Tenho milho pra te dar!"
Pintinhos: (correndo para fora do galinheiro)
Raposa: (se empolga e pula da toca)"Milho!!!"
(Todos olham para a Raposa. Os Pintinhos ficam assustados e fogem correndo para dentro do galinheiro. A Galinha se aproxima da Raposa com uma expressão nada satisfeita.)
Galinha: "Raposa, o que faz acordada nessa época do ano?! Você deveria estar dormindo"
Raposa: "..."
Galinha: (balançando a cabeça) "Não, não, Raposa. Não é assim que as coisas funcionam."
"Olhe, você não pode se expor desse jeito! As pessoas não estão preparadas para ver como você é. Elas têm medo de você, e quando não têm, querem caçá-la!" (suspira) "Onde está o Gato? Ele deveria estar tomando conta de você"
Raposa: "O Gato saiu para viver a minha vida em meu lugar, Galinha. Todo ano é assim.. Mas estou cansada de perder meu lugar no mundo para um felino cretino e sem sentimentos que não sabe cuidar da própria protegida."
Galinha: "E o que você pode fazer?"
Raposa: (hesita) (abaixa a cabeça) "Obedecer às ordens do Gato e de minha protegida e ir dormir"
Galinha: "E o que você faz acordada nessa época do ano, Raposa?"
Raposa: (levanta a cabeça) "Eu cansei de obedecer ordens"
(A Raposa foge para as campinas congeladas à procura do Gato de da Protegida. A Galinha a observa por um tempo antes de ir buscar seus filhotes no galinheiro)
Galinha: "Pelo menos meus filhotes vão poder comer em paz."
segunda-feira, 15 de junho de 2015
Totens
O Gato é meu ego
A Raposa, meu lado negro
E a Águia, minha guia
Que me leva ao meu destino:
A Garça.
Oh, grande e graciosa Garça guardiã do elo do mundo mundano com o etéreo! Ensina-me a ser leve para que eu possa andar sobre as águas como tu. Mostre-me como a pegar os peixes na maré alta com habilidade como fazes. Inspira-me a alcançar o equilíbrio para que possa ver nas ondas não só o brilho do Sol, mas a luz do Grande Espírito reluzindo em um espelho do infinito.
Águia das penas douradas, rainha dos céus e do Sol, agradeço por ter me apadrinhado. Contigo cortando os 4 ventos, sinto que sei para onde estou indo. Ave da sabedoria, leve-me ao meu destino pelo melhor caminho, seja ele jongo, curto, reto ou tortuoso. Confio que sabes o que é o melhor para mim.
Gato, tu que és meu instinto e meu inconsciente, protege minha alma da escuridão. Sabes que tenho medo do escuro, mas contigo ao meu lado iluminando o caminho através dos mistérios da vida, nada temerei. Teus olhos refletem conhecimento e sabedoria, que por sua vez revelam os valores que eu possuo em meu ser, o que me dá coragem e confiança para continuar seguindo em frente.
E Raposa...
...
Você é maravilhosa, querida, não importa o que digam. Sua beleza externa pode não ser sempre a mais graciosa, mas seus olhos sempre serão os mais belos, esteja você de bom ou mau humor. Você pode não ser o animal que eu mais admiro, mas você está sempre comigo quando eu preciso e é a única na qual eu posso me referir de uma maneira mais casual sem me sentir desconfortável. Você não é má, só está na escuridão porque precisa se proteger de alguma forma.
Raposa, você sabe o que é certo, mas tem vergonha de sua aparência. Confie em suas atitudes, minha grande amiga, deixe seu pelo cor de fogo brilhar em meio à escuridão, cumprindo sua missão de, onde houver trevas, levar a luz.
A Raposa, meu lado negro
E a Águia, minha guia
Que me leva ao meu destino:
A Garça.
Oh, grande e graciosa Garça guardiã do elo do mundo mundano com o etéreo! Ensina-me a ser leve para que eu possa andar sobre as águas como tu. Mostre-me como a pegar os peixes na maré alta com habilidade como fazes. Inspira-me a alcançar o equilíbrio para que possa ver nas ondas não só o brilho do Sol, mas a luz do Grande Espírito reluzindo em um espelho do infinito.
Águia das penas douradas, rainha dos céus e do Sol, agradeço por ter me apadrinhado. Contigo cortando os 4 ventos, sinto que sei para onde estou indo. Ave da sabedoria, leve-me ao meu destino pelo melhor caminho, seja ele jongo, curto, reto ou tortuoso. Confio que sabes o que é o melhor para mim.
Gato, tu que és meu instinto e meu inconsciente, protege minha alma da escuridão. Sabes que tenho medo do escuro, mas contigo ao meu lado iluminando o caminho através dos mistérios da vida, nada temerei. Teus olhos refletem conhecimento e sabedoria, que por sua vez revelam os valores que eu possuo em meu ser, o que me dá coragem e confiança para continuar seguindo em frente.
E Raposa...
...
Você é maravilhosa, querida, não importa o que digam. Sua beleza externa pode não ser sempre a mais graciosa, mas seus olhos sempre serão os mais belos, esteja você de bom ou mau humor. Você pode não ser o animal que eu mais admiro, mas você está sempre comigo quando eu preciso e é a única na qual eu posso me referir de uma maneira mais casual sem me sentir desconfortável. Você não é má, só está na escuridão porque precisa se proteger de alguma forma.
Raposa, você sabe o que é certo, mas tem vergonha de sua aparência. Confie em suas atitudes, minha grande amiga, deixe seu pelo cor de fogo brilhar em meio à escuridão, cumprindo sua missão de, onde houver trevas, levar a luz.
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