quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Noite #2- Gatos sabrn sobre magia

      Não posso culpar Protegida por escrever tanta baboseira. As ideias vêm e, de repente se misturam, levando o escritor por uma linha de raciocício que ele nunca pensou que seguiria. E então, do mesmo jeito que vieram, elas se vão, deixando para trás apenas o escorioso resultado final...  Ter um diário é mais complicado do que imaginei. Não é à toa que ela passou tanto tempo longe dele, preferindo ler histórias de outras pessoas ao invés de relatar a sua. Não há problema, ajudarei a pobrezinha.

       Sei no que está pensando, leitor. "Gato, estou ciente de que você é altamente inteligente, mas como vai manter seus textos em segredo de Protegida se ela também manusea este diário?". Ora, meu caro, eu conheço Protegida, um dia fui parte dela. Aquela moça não suporta sequer olhar para o que escreve, então sempre deixa um marcador de página na folha seguinte a que acabou de escrever. Desde que não me alongue muito em minhas narrações, meus textos passarão despercebidos à ela.

       Sobre a história contada até aqui, um resumo: Protegida acordou na neve um dia e viu o Lobo machucado. Ela o curou e depois seguiu Dim, a águia, até a casa de Íris, a bruxa maluca que a instruiu com sua magia.

        A base da magia são os quatro elementos principais, fogo, terra, ar e água e dois secundários fundamentais: luz e trevas.
Eles se misturam e se ramificam, criando uma infinidade de novos elementos disponíveis para os bruxinhos brincarem. Sei disso pois foi de um jeito parecido que eu e Raposa fomos criados. Misturas de pensamentos e sentimentos que se intensificaram tanto a ponto de criarem consciência e personalidade.

       Alguns bruxos já nascem com talentos específicos, como a habilidade de cura de Protegida, seja por herança familiar, bênção, maldição, grandeza de espírito entre outros infinitos fatores. Já outros precisam se esforçar muito para serem bons com algum elemento ou, dependendo do ponto de vista, têm a sorte de poderem escolher o que querem aprender a dominar.

       Fiquei pensando nisto enquanto andava pelos telhados das humildes casas da vila. Tudo possui dois lados, depende do observador escolher para qual olhar. Ter talento pode facilitar o estudo para alguns, mas para outros, vetar possibilidades. Ser um gato me permite ter uma visão privilegiada do mundo por estar sempre no alto, mas também me obriga a ser visto como um ser maldito que, supostamente, desrespeitou o Messias em sua dolorosa caminhada com a cruz. Injustiça! Nunca tive intenções de prejudicar alguém, nem mesmo aquela Raposa infernal. Não é por ter inteligência que não... Tenho um coração. Eu faria qualquer coisa por Protegida. Eu sou leal a ela, não à comida que ela me dá. Eu protejo ela, não a casa. Eu sou amigo dela, e não um interesseiro qualquer. Eu me importo! Eu sou bom, e não mau! Não suporto mais ouvir que sou maligno! Eu sou bom, eu sou bom, EU SOU BOM!!!

       Oh, desculpe-me, não vou mais incomodá-lo com meus devaneios, querido leitor, não se preocupe. Este diário sequer é meu, nem deveria escrever tantos pensamentos íntimos. Além disso, está ficando tarde. Boa noite.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Dia... Noite #1...?

      São 3:25 da manhã. Protegida e Raposa estão dormindo, porranto esta é a minha chance de pegar este diário...

      Sinceranente, não sei muito o que escrever aqui. Deveria ter pensado melhor no que relatar quando me apoderei do diário. Hum, quem sabe se eu não tenho algo a contar semana que vem?

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Miau

      Protegida, você não sabe escrever. Vou assumir daqui para frente. No momento em que achar este diário, ele deverá possuir uma quantidade muito maior de informações úteis (escritas por mim) do que quando o perdeu. Dispenso agradecimentos.
      Oh, olá, querido leitor! Há quanto tempo! Não se preocupe, não vou atrapalhar a história. Na verdade, vou acelerá-la. Protegida adora enrolar para contar o que é realmente importante, e, como ela não pretendia me deixar ler seu diário de qualquer jeito, tomei a liberdade de ir contra sua vontade e fazer o que é certo.
      Sei que sua cabeça deve estar confusa, mas tudo será explicado em breve, leitor. Agora preciso ir, Raposa está vindo e não quero que ela me veja com o diário.
      Até breve.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Dia #4- Neve e ventania

      Acabou de anoitecer e já vi que vai começar a nevar...  Ah, a nve me lembra do dia em que cheguei aqui, quando vi aquela águia me encarando...
      Oh, é mesmo, esqueci de falar sobre o resto do que aconteceu quando conheci Íris e Dim!
      Bem, pelo o que escrevi aqui, já deu para notar que nosso primeiro contato não foi um dos melhores. Mas na hora do chá, ela se revelou ser uma pessoa gentil e um tanto... Excêntrica.
  - E então, querida, de onde você vem?- ela me perguntou enquanto misturava açúcar em meu chá.
  - Eu não sei bem...-respondi, sem jeito.- Um dia acordei na neve e vi sua amiga águia me observando. Lembro também de um lobo ferido que ajudei, mas depois jugiu, e, além disso, mais nada.
  - Nossa, então você só está por aqui há um dia? Bem, neste caso, seja bem-vinda ao Alasca!
  - Alasca?!
  - Sim, você está na área "não civilizada" do Alasca. O máximo que vai encontrar por aqui são algumas vilinhas de pessoas que não gostam muito do resto do mundo.- ela pôs minha xícara na mesa e foi pegar a sua.

       Mas de repente uma ideia passou como uma bala pela minha cabeça.

  - Íris...-disse com a voz trêmula- Eu morri?!

       Ela riu.

  - Depende do que morrer significa para você.

       Como não gosto de falar sobre este assunto, achei melhor mudar o rumo da conversa.

  - Mas o que você está fazendo no Alasca longe da civilização?
  - Essa é uma história muito, muito, muito, muito, muito, muito...

       E ela continuou. E continuou. E continuou. Ah, deu pra entender!
Lancei um olhar para Dim, a águia, que pareceu entender meu sinal e deu um berro, assustando Íris.

  - AAH! Opa, exagerei? Hihihi. Enfim, é longa a história. Bem longa. Mas o grito da Dim me fez perceber que ainda não sei seu nome, meu anjo.- Íris tomou um gole de seu chá.
  - Bem... Eu não sei se um dia sequer tive um. Eu sei que poderia escolher qualquer nome para ser meu, mas ainda não sei um que sirva pra mim, entende?

       Ela me olhou nos olhos por um momento, um pouco surpresa, eu diria. Ela se virou para Dim, que estava com os olhoa fechados, tirando uma soneca (ou talvez só estivesse fingindo).

  - Você tem uma mentalidade interessante para uma menina da sua idade. Oh, desculpe, quantos anos você tem mesmo?

      Dei um sorriso amarelo em resposta.

  - TU TÁ DE BRINQUEICHON UITI MI, NÉ?! O que você sabe sobre si mesma então?
  - Hum... Eu sei que eu sou uma garota. Ah, e que curo lobos  Ah, e eu amo ciência! Qualquer tipo de ciência!
  - Ah, sim, eu adoro ciência também, principalmente química... Mas, espera, você disse que cura lobos?- ela pareceu confusa.
  - Sim, descobri isso ontem! Sabe aquele lobo que disse que ajudei e que depois fugiu. Ele estava muito machucado, parecia que seu tórax tinha sido cortado. Mas então eu pus a mão e...
  - Cicatrizou!- ela completou, com os olhos brilhando de euforia- Aaaaaaaaahhhhh, temos uma curandeira natural por aqui, minha gente!
  - Ha ha, e existem curandeiros artificiais?- perguntei ironicamente.
  - Mas é claro que sim!- ela respondeu, com a voz tão fina quanto um apito- Eu sou uma, inclusive. Não curo com as mãos, mas sei fazer poções que aliviam febre e dores em geral, o que até que serve quando eu não confundo sódio com enxofre e acabo me engasgando com aquele troço, hihihihihi. Os dois são tão parecidos...
  - Mas então você quer dizer que eu tenho uma espécie de "dom"?
  - Isso mesmo. Mas só uma perguntinha, curandeiros não tomam chá na presença de outras pessoas?

       Ela apontou para minha xícara ainda cheia de chá de hortelã com o açúcar todo retido no fundo. Já estava frio e ainda não tinha tomado uma gota.

  - Relaxa, deixa que eu esquento pra você- ela pegou a xícara e pôs o líquido em uma panela pendurada acima do fogão à lenha.
  - Mas, Íris, qual é o seu dom?
  - AH, ATÉ QUE ENFIM VOCÊ PERGUNTOU!

      Com isso, ela levantou os braços e fez surgir uma ventania na cozinha. A mesa, a cadeira e eu estávamos flutuando, junto com vários outros utensílios do cômodo. Dim começou a berrar, devia estar mesmo dormindo, e a bater suas asas loucamente, tentando sair de lá, mas conseguiu apenas ficar girando no lugar por causa daquele furacão repentino.

  - Você controla o ar?!- gritei para Íris, que, apesar da distorção na minha voz causada pelo vento, conseguiu entender.
  - EU CONTROLO TUDO!!!- ela sorria de orelha a orelha.
  - ÍRIS, PARA!- uma voz grave e desconhecida desesperadamente pediu.

        Ela arregalou os olhos e pôs as mãos na boca, deixando tudo o que estava flutuando cair. Meus ouvidos sentiram dor antes mesmo de ouvir a terrível sinfonia de panelas batendo, pratos e copos se quebrando, talheres despencando e das cadeiras e da mesa aterrisando no chão com a graça de um hipopótamo.
  - Opa. Acho que me empolguei um pouquinho... De novo.- ela mordeu o lábio e baixou o olhar.- É que eu queria que você ficasse animada com o que a magia nos permite fazer.
  - M-mas eu estou! Aquilo foi demais! Desastroso, também, mas nossa, você fez tudo aquilo voar! Uma pena que deve estar tudo quebrado agora...
  - Ahhahaha, tudo bem- ela sorriu, sem graça- Eu conserto depois, é sério. Mas... O que você acha de ficar um tempo por aqui e, sabe... Fazer de você minha...
  - Aprendiz? Seria maravilhoso!- comecei a me sentir mais à vontade no ambiente.- Mas olha, eu agora queria saber de quem era aquela voz que veio do além gritou para você parar. Ha! Aquele foi "deus"?- brinquei.
  - Ah, não aquela foi a Dim. Ela me avisa quando estou exagerando ou quando me disperso demais.
  - Como assim?! A águia falou?!
  - Eu te disse que elas falam quando têm algo para dizer. Vem, eu vou te mostrar o quarto de visitas, você precisa descansar. Quero conversar com você sobre algumas coisas amanhã...
     Ela me levou a um pequeno cômodo no andar de cima, que tinha uma cama próxima à janela, um abajur e uma estante de livros junto à uma cômoda. Estava tudo um pouco empoeirado, mas era aconchegante. Ela tirou a poeira da cama com um balançar de mãos e eu imediatamente me joguei ali, me dando conta do quanto estava cansada.
Puxei o cobertor e olhei para Íris, que parecia satisfeita ao ver que estava confortável.

  - Desculpe se eu pareço meio desesperada para ter uma aprendiz... É que faz tanto tempo que não vejo outra bruxa! Eu tenho tanto para te ensinar e tanto para aprender com você!... Ah, e eu prometo que catástrofes como as de hoje na cozinha e sustos como a tal "sopa de almas" não vão mais acontecer, ok? Sinto muito que eu tenha causado uma impressão tão ruim assim, anjinho, eu às vezes consigo ser um verdadeiro desastre... Mas, olha, eu prometo a você que estará a segura aqui, sim? Eu e Dim queremos que se sinta em casa enquanto estiver conosco. Vamos ter bastante tempo para conversar e nos conhecer melhor depois, mas tente dormir um pouco. Posso te fazer outro chá, que tal?
 - Por que não...?- bocejei.
  - Oh, eu não paro mesmo de falar, não é? Hihihi, já vou te deixar em paz, não se preocupe, estrelinha.
  - Estrelinha?...
  - Ah, desculpe. Eu entendo se você não gostar de apelidos...
  - Não, não... Eu adorei.
      Íris deu um sorriso para mim. Não aquele sorriso amarelo ou aquele outro eufório, mas um doce e gentil. Seus olhos cor de âmbar de repente adquiriram um brilhante e suave tom de azul. Se curvou, deu um beijo de boa noite em minha testa e foi andando devagar para trás, parecendo emocionada. Pôs a mão na maçaneta e me deu mais um sorriso antes de fechar a porta. Fechei meus olhos e adormeci rapidamente.



terça-feira, 17 de novembro de 2015

Dia #3- O Rei


      Raposa hoje foi dar uma volta pela vizinhança e chegou saltitando e dando risadinhas.
  - Protegida, Protegida! Você navega ou controla um navio???
Sim, foi exatamente isso que ela me perguntou.
  - Acho que o certo seria "navegar", não é?- recorri à norma culta.
  - Mas qual o problema de "controlar um navio"?- Gato perguntou em seu habitual tom esnobe.- Para navegar, alguém precisa estar no controle de um timão e de uma possível tripulação. Na verdade, "controlar um navio" seria uma definição mais completa de "navegar".
       Raposa ria como uma hiena, deixando seus dentes pontiagudos e amarelados à mostra. Pode parecer estranho, mas ela ficava muito fofa desse jeito. Estava se divertindo sozinha e isso era divertido de ver.
  - Bom, você, Protegida, é sábia. Mas você, Gato...-ela segurou uma gargalhada- É um bobão!!! Aaaahahahahhahahahaha.
       Raposa rolava no chão de tanto rir. Gato a fitou com o pelo eriçado.
  - Ora, sua...
  - Mas por que ele é um bobão, Raposa?- interrompi antes que desse...

Espera, eu posso escrever palavrões no meu diário, certo? Ugh, mas eu me sinto tão boca suja fazendo isso...

Melhor não.

Enfim, eu o interrompi antes que alguma coisa ruim acontecesse.

  - Porque o Rei disse!- ela respondeu.- E decreto de rei é sagrado.
  - ...Quê?- dissemos em uníssono.
  - Vocês sabem! O Rei!
  - Que rei, meu Deus?
  -O Elvis!

Eu sei, mas espera que não é tão ridículo quanto parece.

  -Raposa, isso é ridículo- Gato sibilou, colocando uma pata em seu rosto.- Primeiro porque Elvis Presley ser o "Rei do Rock" não o torna um chefe de Estado. Segundo porque... QUANDO FOI QUE ELE DISSE ISSO?!
  -Naquela música "Quem réu fóli de ló mim e tu".

  -Ah, eu sei qual é- lembrei-me da música, embora o nome correto seja "Can't help falling in love with you"- São nos dois primeiros versos: Wise men sea. Only fools run a ship.
  - Iiiiiiiissssoooo!!!!- Raposa dava pulinhos de alegria.

Gato estava pasmo.

  -É sério isso? Uma música de um cara famoso me torna um idiota?
  -É!- Raposa respondeu.
  -Haha!- eu ri- Mas sabe que isso tem uma lógica? Homens sábios navegam porque sabem que não têm poder sobre o mar. Portanto, tudo o que podem fazer é... Seguir o fluxo e aproveitar a viagem, seja ela tranquila ou tempestuosa.
  -Mas ainda sim pode-se escolher que direção seguir.
  -Não se o vento não permitir, Gato. Por isso mesmo só os bobos "controlam um navio". O que se pode fazer é usar o navio para usufruir do mar, mas nunca o contrário.
  -O controle é uma ilusão.- Raposa resumiu.

Eu vi os olhos do Gato se arregalarem e seu queixo cair ao ouvir aquilo.

  -Nossa, Raposa...-ele hesitou antes de recompor totalmente sua ironia- Você tem um cérebro, afinal.

Ela lhe lançou um olhar sério em resposta. Nunca foi muito de rebater piadinhas, mas tenho certeza de que tem muitos e muitos retruques em mente.

  -Quem quer biscoito?!- quebrei o silêncio.
  -EEEEEEEEEEUUUUUUU!!!!- Raposa voltou a saltitar
  -Tanto faz.

Ah, esse bichano cretino... Tem vezes que esse sarcasmo dele me irrita tanto! Não aguentei. Peguei-o no colo e o joguei para cima.

  -MIAAAAAAAAAAAH!
  -SAI DESTE CORPO QUE NÃO TE PERTENCE, IRONIA! VOLTE PARA TUA TERRA E NÃO RETORNE JAMAIS!

Ele ficou bem assustado, mas foi a brecha perfeita para lhe fazer carinho na cabeça. Ele vira um manteiga derretida quando faço isso, tanto que sempre foge quando eu tento.
Em questão de segundos, ele estava ronronando em meus braços.

  -Ele é mesmo um bobão, não é?- disse à Raposa, que deu uma risadinha inocente.
  -Nossa, Gato.- ela ironizou- Você tem um coração, afinal.

Eu disse que ela tinha uma resposta na ponta da língua, viu?

Ah, e os biscoitos eram coisa séria. A amiga de Dona Esmeralda, Senhorita Alice, chegou de visita e trouxe uns 3 tabuleiros cheios! Eram de chocolate e estavam quentinhos... Desculpe-me a minha gula, mas o que eu posso fazer se amo comida?

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Dia #2

Hoje, caminhando pela vila, conheci uma artista. Seu nome é Litty e ela me entregou este desenho. Disse que sonhou com a cena. De qualquer forma, eu adorei!

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Então, como eu começo esse troço?

     Querido diário... não, não, assim não.

     Diário querido? Não, pior ainda...

     Dia #1. É, assim está melhor.

     Decidi finalmente começar este diário porque não consigo mais confiar na minha memória para lembrar do que aconteceu comigo. Tenho medo de pensar que aquilo tudo foi só um sonho ou uma fantasia da minha cabeça. Neste momento, estou em uma vila, dentro de uma casa simples e quente, com uma cama para dormir e tranquilidade para escrever. Raposa está dormindo em frente à lareira e Gato, deitado no meu colo, está curioso para saber o que estou escrevendo, mas não vou deixá-lo tocar neste caderno tão cedo.
     Foi tão gentil da parte de dona Esmeralda, amiga de uma amiga minha, nos deixar ficar aqui por uns dias... A comida é maravilhosa, os vizinhos são simpaticíssimos, o ambiente é confortável... Nem parece que há dois dias, estava perdida no meio de uma nevasca terrível e, muito menos, que há um mês, mal sabia como havia chegado aqui no Alasca... Mas não que eu saiba agora.
    Minhas memórias mais antigas são de levantar do chão frio e ver um lobo no meio da neve, deitado, machucado, respirando com dificuldade. Cheguei perto dele e toquei em sua ferida, que foi cicatrizando aos poucos com meu toque. Não sei como fiz aquilo, sequer sabia que tinha poderes de cura...
     Quando curado, o lobo olhou para mim e levantou-se às pressas e correu o mais rápido que pôde até sair de meu campo de visão. Fiquei parada por alguns segundos quando percebi, com o canto do olho, que uma águia me observava. Trocamos um longo olhar até ela levantar voo subitamente. Por curiosidade ou, talvez, por puro instinto, corri atrás dela.
     Meus pés eram como asas, mal tocavam o chão. O ar frio fazia meu peito arder, mas mesmo assim não sentia vontade de parar de correr. A águia, por sua vez, sempre que iria mudar de direção, grasnava para me avisar, como se estivesse mesmo querendo me guiar a algum lugar.
      Avistei uma pequena e aconchegante casa de madeira, com o teto coberto de neve e fumaça saindo da chaminé. A águia entrou por uma janela aberta, que se fechou logo após sua entrada. Diminuindo o passo, subi as escadinhas que levavam até a porta de aparência rústica, porém simples. Bati uma vez e ela abriu-se sozinha. Devia estar destrancada. Esquecendo-me de meus modos e me entregando à ansiedade, adentrei no local, fechando a porta atrás de mim por costume.
      Estava escuro. O fogo da lareira estava baixo demais pra iluminar o ambiente, mas era o suficiente para mantê-lo quente. O silêncio era quase absoluto, exceto pelos estalos da madeira em combustão.
       Ouvi passos e depois uma risada estranha:

-Oooohohohohohohohohohoho, ora ora, você pensa que as coisas são simples assim?- disse uma voz rouca e macabra.
-M-me desculpe, eu cheguei a bater na porta, mas...
-Não estou falando disso. Digo que quando alguém diz que está errada, você simplesmente muda de direção sem mais nem menos, como uma criada. E quanto ao que você quer fazer? Seu destino se invalida tão fácil assim?
-O que?...
De repente, as chamas aumetaram, revelando uma sala repleta de quinquilharias velhas e empoeiradas, e aquilo que era só uma voz, na verdade, era uma mulher caduca, enrolada em uma manta escura, extremamente parecida com a madrasta da Branca de Neve.
-Aahahahahhahahhaahahahahahhaha-gargalhou- é por isso que sua aparência é tão...Frágil. oooohohohohohohohohohoho, você pensa que as coisas são simples assim? Alguém diz que você está errada e você simplesmente muda de direção sem mais nem menos? E quanto ao que você quer fazer? Seu destino se invalida tão fácil assim?  Aaaahahahahhahahhaahahahahahhaha, é por isso que sua aparência é tão... Frágil. Olheiras fundas, pele pálida, olhar opaco, sem nenhuma ideia de para onde está indo.
-Como a senhora-
-O que foi?-ela me interrompeu- Cansada de andar? Procurando alguém para obedecer? Ou finalmente se tocou no que fez consigo mesma?
-O que eu fiz...
-Ohohohohohohoho, que trágico! Que trágico! Porém...- ela me olhou com uma expressão curiosa e, por um momento, pensei ter viato a cor de seus olhos mudarem de negros para âmbar.-Mais uma alma perdida para minha sopa! Alguém tão fraca como você deve servir de refeição para alguém maior, mais forte e, principalmente, com fome.
-O quê?!- gritei- Você vai me matar?! Mas, mas... Eu pensei que... Aquilo tudo que a senhora disse, eu... Eu achei que a senhora...
      Não consegui segurar as lágrimas. Estava assustada, confusa e não queria morrer tão cedo. Botei as mãos sobre o rosto e ajoelhei-me no chão, esperando pelo pior.
      Mas o que ganhei foi um afago na cabeça.
-Não se preocupe, querida, não precisa chorar.- uma doce voz, quase que como uma melodia, disse- Isso foi apenas para testar sua alma. Ela é bem humilde, devo dizer. Droga, ela acertou de novo...
       Levantei a cabeça e me deparei com uma moça linda, morena, de olhos cor de âmbar e longos cabelos castanhos ondulados me olhando um pouco sem jeito. Ela usava um chapéu pontudo velho e surrado com uma estrela na extremidade. Suas roupas eram escuras com detalhes excêntricos, como o pato amarelo que estava no lugar da fivela de seu cinto.
       -Quem acertou de novo? E como você sabia daquilo tudo sobre mim?

- Então, foi essa minha amiga me contou sua história antes de você chegar aqui! Ela nunca errou quando disse que encontrou um feiticeiro de luz, mas eu duvidei de que ela fosse tão "infalível" quanto ela diz que é. Então eu fiz aquilo para ver se você era legal mesmo!
       Ela deu um sorriso visivelmente forçado enquanto observava minha reação. Ela era definitivamente esquisita, mas nada com que eu não podesse me acoatstumar.
-Mas que amiga é essa que você tanto fala?
-Ora! A águia que te trouxe aqui, trouxa!- ela bateu na testa com o punho fechado, fazendo um sinal de que aquila era um pergunta idiota.
-Mas... Águias não falam.-constatei humildemente
 -Hihihi, elas falam sim, se você quiser ouvir.-ela esticou um dos  raços e sua amiguinha pousou em seu pulso. Pensei no quão dolorosas seriam aquelas garras.
        Ela a trouxe para perto de seu rosto e a ave chegou perto de seu ouvido, como se fosse contar-lhe um segredo.

-Oh, mas que modos os meus!- a moça quase berrou- Obrigada por me lembrar, Dim. Deixe-me apresentar-me! Meu nome é Claewacavlalenjuloudraislictorcimine, mas pode me chamar de Íris. Já olhou bem para meus olhos? Eles mudam de cor.- ela olhou fixamente para mim e era verdade! O âmbar que era negro agora adquiriu um leve tom de violeta.
-E eu não sou tão velha quanto parecia ser.-continuou- Eu sou muito mais! Hihihihi. Mas então? Aceita um café ou uma xícara de chá? Não, não, espera, deixe-me ver... Você é intolerante à cafeína, mas adora chá de... Hortelã, certo?
-Sim!
-Hortelã com bastante açúcar!
-SIM!!!
-OH YEAH! PONTO PRA MIM, DIM!-Ela fez uma dancinha da vitória enquanto ia para a cozinha preparar a água. Dim, a águia, parecia quase envergonhada. Ela voou para uma casinha de palha em um canto da sala, que eu deduzi ser seu ninho.

       Apesar de ter um jeito peculiar, Íris é boa. E sábia. Mas vou ter que escrever sobre ela e Dim um outro dia. Dona Esmeralda fez macarrão com ovoe está me chamando para jantar! E de sombremesa, tem brigadeiro, mas sem granulado. Ela acabou comendo tudo sem querer na hora de confeitar os docinhos. Dona Esmeralda adora granulados! No Natal, vou arranjar uma jarra cheia daquilo para dar de presente para ela. Aaaah, ela vai adorar!!!

terça-feira, 27 de outubro de 2015

A objeção do Gato

          A Raposa encheu a sua cabeça de besteiras sobre mim, não estou certo? Em minha defesa, por favor, deixe-me apresentar-me: muito prazer, eu sou o Gato (também conhecido como Trapaça em um outro universo criativo, mas não julguem-me por este nome). Sou eu quem decide o que é bom e o que não é neste grupo, se é que posso definir o que somos eu, Protegida e Raposa. Esta última diria que somos uma "família", mas acho uma expressão chula e inadequada.
          Para uma melhor visualização do que sou, em primeiro lugar, não me enxergue exatamente como um gato, apesar de chamarem-me assim e de minha aparência ser igual a tal. Pense em mim como um personagem que existe, mas não é. Uma alegoria, um conjunto específico de infinitos pensamentos que condensou-se em uma única forma, a de um felino, embora possa transformar-me no animal, vegetal, objeto ou o que quer que for necessário.
         Mas falemos da Raposa, aquele demônio em pele de canino. Guarde minhas palavras, leitor, ela é perigosa. Sua insensatez ainda nos custará a vida! Ela está sempre a tentar incentivar Protegida a "seguir seus instintos", além de passar vinte e quatro horas por dia fazendo perguntas tolas como "o fogo queima porque ele está zangado?", "como o Sol anda pelo céu se ele não tem pés?" ou ainda "as estrelas ficam piscando no céu porque ficaram presas lá e agora estão pedindo ajuda?". Ela parece não entender o quão ridícula sua mente é e o quanto nos perturba com sua curiosidade infantil! Não que curiosidade seja um mal, muito pelo contrário, ela mantêm o mundo progredindo, mas o jeito que ela processa as informações ao seu redor é repugnante! Quem pensa nos sentimentos do fogo se ele sequer está vivo! Ele é apenas o resultado de uma reação de combustão, que agita as moléculas a um nível extremo, reduzindo a matéria a cinzas. Não há gritos de raiva ou expressão facial para induzir a pensar que o fogo está "zangado" ou mesmo que possui emoções.
         Toda vez que digo meus pensamentos sobre as linhas de raciocínio da Raposa em voz alta, Protegida a defende. Diz que ela só tem "um jeitinho diferente de ver as coisas" e pede para eu ser um pouco mais empático. Eu, no entanto, me recuso a deixar tais vergonhosos pensamentos entrarem em mim. Como disse, não passo de pensamentos condensados e não estou interessado em cometer suicídio. Ela diz que eu provavelmente me tornaria ainda mais inteligente se tentasse compreender seu ponto de vista mas creio que não vale a pena arriscar, Tenho consciência de que não sei de tudo, mas não quero pôr a perder tudo o que eu sei por refletir sobre aquelas perguntas.
         Por falar na Protegida, ela tem uma história estranha. Não se lembra de nada antes de chegar aqui, ou, pelo menos, foi isso o que ela nos disse. Mesmo sendo um de seus Guardiões, não sei muito sobre ela, nem idade, nem família, nem nome. A menina tem muitos segredos... Mas quem sabe, você, querido leitor, não possa ser o sortudo que terá acesso à sua história? Ela tem pensado em escrever um diário recentemente e, se o projeto for para frente, por favor, conte-me tudo depois, sim?
         Aqui fica a tentativa do Gato de consertar a mancha feita por uma Raposa burra em sua imagem.
         Em anexo, segue uma foto fofinha de mim para ter certeza de que você não pensará em mim como um vilão..

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Pensamentos de uma Raposa

Me chamam de Raposa, mas não sei direito o que eu sou, na verdade. Tenho essa forma de raposa pois é a que mais tem afinidade com o que sou por dentro mas, apesar de minha protegida me achar linda, minha aparência é horrorosa. Tenho dentes grandes e pontudos que mal cabem na minha boca, olhos grandes amarelados e, não importa o que eu faça, meu pelo avermelhado está sempre bagunçado e arrepiado.

Sei que posso mudar minha aparência se necessário, mas por incrível que pareça, estou confortável neste corpo. Pode ser feio, esquisito e até me assustar às vezes mas é meu, foi feito só para mim e para mais ninguém.

Quando contei isso ao Gato, ele disse que estava feliz por mim pois tinha conseguido fazer de mim meu próprio lar. Nós não nos damos muito bem na maior parte do tempo, mas fiquei feliz com esse comentário em específico, principalmente porque o mesmo me fez levantar uma série e perguntas.

E quando perguntas surgem, a confusão vai embora!

Raposa: "Como assim 'lar'?"

Gato: "Lar, onde você se sente confortável e seguro não importa as circunstâncias. É o lugar ao qual você verdadeiramente pertence e vê isso com clareza."

Raposa: "Existem pessoas que não veem seus lares com clareza?"

Gato: "A maioria não vê. Elas fazem questão de apontar defeitos, reclamar de tudo e acabam destruindo esse sentimento de pertencimento. Idealizam um lugar one não existem regras ou responsabilidades e só depois de rodarem o mundo em busca desta utopia é que percebem que a definição de lar não é "lugar perfeito". Sequer precisa ser um lugar só, na verdade. Em qualquer ambiente que tenha vibrações de afeto que são perceptíveis aos sentidos já pode ser considerado um lar.."

Raposa: "Então... quer dizer que eu sou meu próprio lar porque tenho afeto por mim mesma?"

Gato: "Exatamente"

Raposa: "He, he, que jeito engraçado de definir amor próprio."

Gato: "..."

E a conversa acabou aí. O Gato não gosta muito de falar de nenhum tipo de amor. Não sei por quê. Amor é um assunto tão vasto e interessante!

Por exemplo: o amor não tem condições. Ou forma. Ou tamanho. Ou limites!

Minha protegida sempre conversa comigo sobre amor quando o Gato não está perto.

Amor é o melhor sentimento que alguém pode sentir. Ela me pergunta como é e sempre repito que ela já sabe a sensação! O problema é que aquele bichano emburrado nunca a deixa acreditar em mim. Ele diz que os sentimentos dela são infantilidades e que ela vai parar com essas coisas quando crescer, No entanto, toda vez que ele diz isso vejo os olhinhos dela buscarem os meus como se procurassem uma confirmação minha.

Nego sempre.

O amor é o que nos faz crescer, amadurecer, evoluir.
Ele nos faz mais fortes, nos protege dos males do mundo nos conectando com lado bom de tudo.

Só com ele é que podemos conhecer a verdadeira beleza da vida. Aquela que está nas coisas mais simples como em um vôo de um pássaro, no perfume de uma flor, na melodia de uma música, em um gesto de carinho.

Ela sabe disso. Eu sei que ela sabe. E ela também sabe que sabe,

Mas aquele gato maldito só a faz pensar que essa sabedoria é ingenuidade e quem sai rotulada como má influência sou eu.

Eu sou o coração, eu sou a emoção, eu sou perigosa. Por isso sou seu
"lado negro".

Ou pelo menos foi isso o que o Gato lhe disse,

Por muito tempo fiquei em segundo plano, escondida nas sombras, mas chegou a hora de mostrar ao que vim. Este show também é meu e não vou deixar ninguém roubar a minha cena, principalmente aquele felino ridículo que não aceita ser meu companheiro de palco.











domingo, 21 de junho de 2015

Brincadeira de criança

(Em um dia de inverno, em um campo perto de um galinheiro, a Raposa tentava dormir em sua toca, quando a Galinha e seus pintinhos saíram para almoçar. Os pintinhos, por sua vez, hesitaram a sair do galinheiro. Dona Galinha começa a chamá-los e, como estava sem sono de qualquer jeito, a Raposa decide assistir.)

Galinha: "Meus pintinhos, venham cá!"

Pintinhos: "Tenho medo da Raposa!"

Raposa: "..."

Galinha: "Mas a Raposa não faz mal!"

Pintinhos: "Faz sim!"

Raposa: (choraminga, magoada)

Galinha: (sem jeito)"...Mas a Raposa está dormindo!"

Pintinhos: "Ela pode acordar!"

Galinha: (suspiro) "Vocês querem minhoca?"

Pintinhos: "Não!"

Galinha: "Vocês querem milho?!"

Pintinhos: "Sim!"

Galinha: "Tenho milho pra te dar!"

Pintinhos: (correndo para fora do galinheiro)

Raposa: (se empolga e pula da toca)"Milho!!!"

(Todos olham para a Raposa. Os Pintinhos ficam assustados e fogem correndo para dentro do galinheiro. A Galinha se aproxima da Raposa com uma expressão nada satisfeita.)
Galinha: "Raposa, o que faz acordada nessa época do ano?! Você deveria estar dormindo"

Raposa: "..."

Galinha: (balançando a cabeça) "Não, não, Raposa. Não é assim que as coisas funcionam."
                    "Olhe, você não pode se expor desse jeito! As pessoas não estão preparadas para ver como você é. Elas têm medo de você, e quando não têm, querem caçá-la!" (suspira) "Onde está o Gato? Ele deveria estar tomando conta de você"

Raposa: "O Gato saiu para viver a minha vida em meu lugar, Galinha. Todo ano é assim.. Mas estou cansada de perder meu lugar no mundo para um felino cretino e sem sentimentos que não sabe cuidar da própria protegida."

Galinha: "E o que você pode fazer?"

Raposa: (hesita) (abaixa a cabeça) "Obedecer às ordens do Gato e de minha protegida e ir dormir"

Galinha: "E o que você faz acordada nessa época do ano, Raposa?"

Raposa: (levanta a cabeça) "Eu cansei de obedecer ordens"

(A Raposa foge para as campinas congeladas à procura do Gato de da Protegida. A Galinha a observa por um tempo antes de ir buscar seus filhotes no galinheiro)

Galinha: "Pelo menos meus filhotes vão poder comer em paz."

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Totens

O Gato é meu ego
A Raposa, meu lado negro
E a Águia, minha guia
Que me leva ao meu destino:
A Garça.

Oh, grande e graciosa Garça guardiã do elo do mundo mundano com o etéreo! Ensina-me a ser leve para que eu possa andar sobre as águas como tu. Mostre-me como a pegar os peixes na maré alta com habilidade como fazes. Inspira-me a alcançar o equilíbrio para que possa ver nas ondas não só o brilho do Sol, mas a luz do Grande Espírito reluzindo em um espelho do infinito.

Águia das penas douradas, rainha dos céus e do Sol, agradeço por ter me apadrinhado. Contigo cortando os 4 ventos, sinto que sei para onde estou indo. Ave da sabedoria, leve-me ao meu destino pelo melhor caminho, seja ele jongo, curto, reto ou tortuoso. Confio que sabes o que é o melhor para mim.

Gato, tu que és meu instinto e meu inconsciente, protege minha alma da escuridão. Sabes que tenho medo do escuro, mas contigo ao meu lado iluminando o caminho através dos mistérios da vida, nada temerei. Teus olhos refletem conhecimento e sabedoria, que por sua vez revelam os valores que eu possuo em meu ser, o que me dá coragem e confiança para continuar seguindo em frente.

E Raposa...

...

Você é maravilhosa, querida, não importa o que digam. Sua beleza externa pode não ser sempre a mais graciosa, mas seus olhos sempre serão os mais belos, esteja você de bom ou mau humor. Você pode não ser o animal que eu mais admiro, mas você está sempre comigo quando eu preciso e é a única na qual eu posso me referir de uma maneira mais casual sem me sentir desconfortável. Você não é má, só está na escuridão porque precisa se proteger de alguma forma.
Raposa, você sabe o que é certo, mas tem vergonha de sua aparência. Confie em suas atitudes, minha grande amiga, deixe seu pelo cor de fogo brilhar em meio à escuridão, cumprindo sua missão de, onde houver trevas, levar a luz.