terça-feira, 24 de novembro de 2015

Dia #4- Neve e ventania

      Acabou de anoitecer e já vi que vai começar a nevar...  Ah, a nve me lembra do dia em que cheguei aqui, quando vi aquela águia me encarando...
      Oh, é mesmo, esqueci de falar sobre o resto do que aconteceu quando conheci Íris e Dim!
      Bem, pelo o que escrevi aqui, já deu para notar que nosso primeiro contato não foi um dos melhores. Mas na hora do chá, ela se revelou ser uma pessoa gentil e um tanto... Excêntrica.
  - E então, querida, de onde você vem?- ela me perguntou enquanto misturava açúcar em meu chá.
  - Eu não sei bem...-respondi, sem jeito.- Um dia acordei na neve e vi sua amiga águia me observando. Lembro também de um lobo ferido que ajudei, mas depois jugiu, e, além disso, mais nada.
  - Nossa, então você só está por aqui há um dia? Bem, neste caso, seja bem-vinda ao Alasca!
  - Alasca?!
  - Sim, você está na área "não civilizada" do Alasca. O máximo que vai encontrar por aqui são algumas vilinhas de pessoas que não gostam muito do resto do mundo.- ela pôs minha xícara na mesa e foi pegar a sua.

       Mas de repente uma ideia passou como uma bala pela minha cabeça.

  - Íris...-disse com a voz trêmula- Eu morri?!

       Ela riu.

  - Depende do que morrer significa para você.

       Como não gosto de falar sobre este assunto, achei melhor mudar o rumo da conversa.

  - Mas o que você está fazendo no Alasca longe da civilização?
  - Essa é uma história muito, muito, muito, muito, muito, muito...

       E ela continuou. E continuou. E continuou. Ah, deu pra entender!
Lancei um olhar para Dim, a águia, que pareceu entender meu sinal e deu um berro, assustando Íris.

  - AAH! Opa, exagerei? Hihihi. Enfim, é longa a história. Bem longa. Mas o grito da Dim me fez perceber que ainda não sei seu nome, meu anjo.- Íris tomou um gole de seu chá.
  - Bem... Eu não sei se um dia sequer tive um. Eu sei que poderia escolher qualquer nome para ser meu, mas ainda não sei um que sirva pra mim, entende?

       Ela me olhou nos olhos por um momento, um pouco surpresa, eu diria. Ela se virou para Dim, que estava com os olhoa fechados, tirando uma soneca (ou talvez só estivesse fingindo).

  - Você tem uma mentalidade interessante para uma menina da sua idade. Oh, desculpe, quantos anos você tem mesmo?

      Dei um sorriso amarelo em resposta.

  - TU TÁ DE BRINQUEICHON UITI MI, NÉ?! O que você sabe sobre si mesma então?
  - Hum... Eu sei que eu sou uma garota. Ah, e que curo lobos  Ah, e eu amo ciência! Qualquer tipo de ciência!
  - Ah, sim, eu adoro ciência também, principalmente química... Mas, espera, você disse que cura lobos?- ela pareceu confusa.
  - Sim, descobri isso ontem! Sabe aquele lobo que disse que ajudei e que depois fugiu. Ele estava muito machucado, parecia que seu tórax tinha sido cortado. Mas então eu pus a mão e...
  - Cicatrizou!- ela completou, com os olhos brilhando de euforia- Aaaaaaaaahhhhh, temos uma curandeira natural por aqui, minha gente!
  - Ha ha, e existem curandeiros artificiais?- perguntei ironicamente.
  - Mas é claro que sim!- ela respondeu, com a voz tão fina quanto um apito- Eu sou uma, inclusive. Não curo com as mãos, mas sei fazer poções que aliviam febre e dores em geral, o que até que serve quando eu não confundo sódio com enxofre e acabo me engasgando com aquele troço, hihihihihi. Os dois são tão parecidos...
  - Mas então você quer dizer que eu tenho uma espécie de "dom"?
  - Isso mesmo. Mas só uma perguntinha, curandeiros não tomam chá na presença de outras pessoas?

       Ela apontou para minha xícara ainda cheia de chá de hortelã com o açúcar todo retido no fundo. Já estava frio e ainda não tinha tomado uma gota.

  - Relaxa, deixa que eu esquento pra você- ela pegou a xícara e pôs o líquido em uma panela pendurada acima do fogão à lenha.
  - Mas, Íris, qual é o seu dom?
  - AH, ATÉ QUE ENFIM VOCÊ PERGUNTOU!

      Com isso, ela levantou os braços e fez surgir uma ventania na cozinha. A mesa, a cadeira e eu estávamos flutuando, junto com vários outros utensílios do cômodo. Dim começou a berrar, devia estar mesmo dormindo, e a bater suas asas loucamente, tentando sair de lá, mas conseguiu apenas ficar girando no lugar por causa daquele furacão repentino.

  - Você controla o ar?!- gritei para Íris, que, apesar da distorção na minha voz causada pelo vento, conseguiu entender.
  - EU CONTROLO TUDO!!!- ela sorria de orelha a orelha.
  - ÍRIS, PARA!- uma voz grave e desconhecida desesperadamente pediu.

        Ela arregalou os olhos e pôs as mãos na boca, deixando tudo o que estava flutuando cair. Meus ouvidos sentiram dor antes mesmo de ouvir a terrível sinfonia de panelas batendo, pratos e copos se quebrando, talheres despencando e das cadeiras e da mesa aterrisando no chão com a graça de um hipopótamo.
  - Opa. Acho que me empolguei um pouquinho... De novo.- ela mordeu o lábio e baixou o olhar.- É que eu queria que você ficasse animada com o que a magia nos permite fazer.
  - M-mas eu estou! Aquilo foi demais! Desastroso, também, mas nossa, você fez tudo aquilo voar! Uma pena que deve estar tudo quebrado agora...
  - Ahhahaha, tudo bem- ela sorriu, sem graça- Eu conserto depois, é sério. Mas... O que você acha de ficar um tempo por aqui e, sabe... Fazer de você minha...
  - Aprendiz? Seria maravilhoso!- comecei a me sentir mais à vontade no ambiente.- Mas olha, eu agora queria saber de quem era aquela voz que veio do além gritou para você parar. Ha! Aquele foi "deus"?- brinquei.
  - Ah, não aquela foi a Dim. Ela me avisa quando estou exagerando ou quando me disperso demais.
  - Como assim?! A águia falou?!
  - Eu te disse que elas falam quando têm algo para dizer. Vem, eu vou te mostrar o quarto de visitas, você precisa descansar. Quero conversar com você sobre algumas coisas amanhã...
     Ela me levou a um pequeno cômodo no andar de cima, que tinha uma cama próxima à janela, um abajur e uma estante de livros junto à uma cômoda. Estava tudo um pouco empoeirado, mas era aconchegante. Ela tirou a poeira da cama com um balançar de mãos e eu imediatamente me joguei ali, me dando conta do quanto estava cansada.
Puxei o cobertor e olhei para Íris, que parecia satisfeita ao ver que estava confortável.

  - Desculpe se eu pareço meio desesperada para ter uma aprendiz... É que faz tanto tempo que não vejo outra bruxa! Eu tenho tanto para te ensinar e tanto para aprender com você!... Ah, e eu prometo que catástrofes como as de hoje na cozinha e sustos como a tal "sopa de almas" não vão mais acontecer, ok? Sinto muito que eu tenha causado uma impressão tão ruim assim, anjinho, eu às vezes consigo ser um verdadeiro desastre... Mas, olha, eu prometo a você que estará a segura aqui, sim? Eu e Dim queremos que se sinta em casa enquanto estiver conosco. Vamos ter bastante tempo para conversar e nos conhecer melhor depois, mas tente dormir um pouco. Posso te fazer outro chá, que tal?
 - Por que não...?- bocejei.
  - Oh, eu não paro mesmo de falar, não é? Hihihi, já vou te deixar em paz, não se preocupe, estrelinha.
  - Estrelinha?...
  - Ah, desculpe. Eu entendo se você não gostar de apelidos...
  - Não, não... Eu adorei.
      Íris deu um sorriso para mim. Não aquele sorriso amarelo ou aquele outro eufório, mas um doce e gentil. Seus olhos cor de âmbar de repente adquiriram um brilhante e suave tom de azul. Se curvou, deu um beijo de boa noite em minha testa e foi andando devagar para trás, parecendo emocionada. Pôs a mão na maçaneta e me deu mais um sorriso antes de fechar a porta. Fechei meus olhos e adormeci rapidamente.



terça-feira, 17 de novembro de 2015

Dia #3- O Rei


      Raposa hoje foi dar uma volta pela vizinhança e chegou saltitando e dando risadinhas.
  - Protegida, Protegida! Você navega ou controla um navio???
Sim, foi exatamente isso que ela me perguntou.
  - Acho que o certo seria "navegar", não é?- recorri à norma culta.
  - Mas qual o problema de "controlar um navio"?- Gato perguntou em seu habitual tom esnobe.- Para navegar, alguém precisa estar no controle de um timão e de uma possível tripulação. Na verdade, "controlar um navio" seria uma definição mais completa de "navegar".
       Raposa ria como uma hiena, deixando seus dentes pontiagudos e amarelados à mostra. Pode parecer estranho, mas ela ficava muito fofa desse jeito. Estava se divertindo sozinha e isso era divertido de ver.
  - Bom, você, Protegida, é sábia. Mas você, Gato...-ela segurou uma gargalhada- É um bobão!!! Aaaahahahahhahahahaha.
       Raposa rolava no chão de tanto rir. Gato a fitou com o pelo eriçado.
  - Ora, sua...
  - Mas por que ele é um bobão, Raposa?- interrompi antes que desse...

Espera, eu posso escrever palavrões no meu diário, certo? Ugh, mas eu me sinto tão boca suja fazendo isso...

Melhor não.

Enfim, eu o interrompi antes que alguma coisa ruim acontecesse.

  - Porque o Rei disse!- ela respondeu.- E decreto de rei é sagrado.
  - ...Quê?- dissemos em uníssono.
  - Vocês sabem! O Rei!
  - Que rei, meu Deus?
  -O Elvis!

Eu sei, mas espera que não é tão ridículo quanto parece.

  -Raposa, isso é ridículo- Gato sibilou, colocando uma pata em seu rosto.- Primeiro porque Elvis Presley ser o "Rei do Rock" não o torna um chefe de Estado. Segundo porque... QUANDO FOI QUE ELE DISSE ISSO?!
  -Naquela música "Quem réu fóli de ló mim e tu".

  -Ah, eu sei qual é- lembrei-me da música, embora o nome correto seja "Can't help falling in love with you"- São nos dois primeiros versos: Wise men sea. Only fools run a ship.
  - Iiiiiiiissssoooo!!!!- Raposa dava pulinhos de alegria.

Gato estava pasmo.

  -É sério isso? Uma música de um cara famoso me torna um idiota?
  -É!- Raposa respondeu.
  -Haha!- eu ri- Mas sabe que isso tem uma lógica? Homens sábios navegam porque sabem que não têm poder sobre o mar. Portanto, tudo o que podem fazer é... Seguir o fluxo e aproveitar a viagem, seja ela tranquila ou tempestuosa.
  -Mas ainda sim pode-se escolher que direção seguir.
  -Não se o vento não permitir, Gato. Por isso mesmo só os bobos "controlam um navio". O que se pode fazer é usar o navio para usufruir do mar, mas nunca o contrário.
  -O controle é uma ilusão.- Raposa resumiu.

Eu vi os olhos do Gato se arregalarem e seu queixo cair ao ouvir aquilo.

  -Nossa, Raposa...-ele hesitou antes de recompor totalmente sua ironia- Você tem um cérebro, afinal.

Ela lhe lançou um olhar sério em resposta. Nunca foi muito de rebater piadinhas, mas tenho certeza de que tem muitos e muitos retruques em mente.

  -Quem quer biscoito?!- quebrei o silêncio.
  -EEEEEEEEEEUUUUUUU!!!!- Raposa voltou a saltitar
  -Tanto faz.

Ah, esse bichano cretino... Tem vezes que esse sarcasmo dele me irrita tanto! Não aguentei. Peguei-o no colo e o joguei para cima.

  -MIAAAAAAAAAAAH!
  -SAI DESTE CORPO QUE NÃO TE PERTENCE, IRONIA! VOLTE PARA TUA TERRA E NÃO RETORNE JAMAIS!

Ele ficou bem assustado, mas foi a brecha perfeita para lhe fazer carinho na cabeça. Ele vira um manteiga derretida quando faço isso, tanto que sempre foge quando eu tento.
Em questão de segundos, ele estava ronronando em meus braços.

  -Ele é mesmo um bobão, não é?- disse à Raposa, que deu uma risadinha inocente.
  -Nossa, Gato.- ela ironizou- Você tem um coração, afinal.

Eu disse que ela tinha uma resposta na ponta da língua, viu?

Ah, e os biscoitos eram coisa séria. A amiga de Dona Esmeralda, Senhorita Alice, chegou de visita e trouxe uns 3 tabuleiros cheios! Eram de chocolate e estavam quentinhos... Desculpe-me a minha gula, mas o que eu posso fazer se amo comida?

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Dia #2

Hoje, caminhando pela vila, conheci uma artista. Seu nome é Litty e ela me entregou este desenho. Disse que sonhou com a cena. De qualquer forma, eu adorei!

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Então, como eu começo esse troço?

     Querido diário... não, não, assim não.

     Diário querido? Não, pior ainda...

     Dia #1. É, assim está melhor.

     Decidi finalmente começar este diário porque não consigo mais confiar na minha memória para lembrar do que aconteceu comigo. Tenho medo de pensar que aquilo tudo foi só um sonho ou uma fantasia da minha cabeça. Neste momento, estou em uma vila, dentro de uma casa simples e quente, com uma cama para dormir e tranquilidade para escrever. Raposa está dormindo em frente à lareira e Gato, deitado no meu colo, está curioso para saber o que estou escrevendo, mas não vou deixá-lo tocar neste caderno tão cedo.
     Foi tão gentil da parte de dona Esmeralda, amiga de uma amiga minha, nos deixar ficar aqui por uns dias... A comida é maravilhosa, os vizinhos são simpaticíssimos, o ambiente é confortável... Nem parece que há dois dias, estava perdida no meio de uma nevasca terrível e, muito menos, que há um mês, mal sabia como havia chegado aqui no Alasca... Mas não que eu saiba agora.
    Minhas memórias mais antigas são de levantar do chão frio e ver um lobo no meio da neve, deitado, machucado, respirando com dificuldade. Cheguei perto dele e toquei em sua ferida, que foi cicatrizando aos poucos com meu toque. Não sei como fiz aquilo, sequer sabia que tinha poderes de cura...
     Quando curado, o lobo olhou para mim e levantou-se às pressas e correu o mais rápido que pôde até sair de meu campo de visão. Fiquei parada por alguns segundos quando percebi, com o canto do olho, que uma águia me observava. Trocamos um longo olhar até ela levantar voo subitamente. Por curiosidade ou, talvez, por puro instinto, corri atrás dela.
     Meus pés eram como asas, mal tocavam o chão. O ar frio fazia meu peito arder, mas mesmo assim não sentia vontade de parar de correr. A águia, por sua vez, sempre que iria mudar de direção, grasnava para me avisar, como se estivesse mesmo querendo me guiar a algum lugar.
      Avistei uma pequena e aconchegante casa de madeira, com o teto coberto de neve e fumaça saindo da chaminé. A águia entrou por uma janela aberta, que se fechou logo após sua entrada. Diminuindo o passo, subi as escadinhas que levavam até a porta de aparência rústica, porém simples. Bati uma vez e ela abriu-se sozinha. Devia estar destrancada. Esquecendo-me de meus modos e me entregando à ansiedade, adentrei no local, fechando a porta atrás de mim por costume.
      Estava escuro. O fogo da lareira estava baixo demais pra iluminar o ambiente, mas era o suficiente para mantê-lo quente. O silêncio era quase absoluto, exceto pelos estalos da madeira em combustão.
       Ouvi passos e depois uma risada estranha:

-Oooohohohohohohohohohoho, ora ora, você pensa que as coisas são simples assim?- disse uma voz rouca e macabra.
-M-me desculpe, eu cheguei a bater na porta, mas...
-Não estou falando disso. Digo que quando alguém diz que está errada, você simplesmente muda de direção sem mais nem menos, como uma criada. E quanto ao que você quer fazer? Seu destino se invalida tão fácil assim?
-O que?...
De repente, as chamas aumetaram, revelando uma sala repleta de quinquilharias velhas e empoeiradas, e aquilo que era só uma voz, na verdade, era uma mulher caduca, enrolada em uma manta escura, extremamente parecida com a madrasta da Branca de Neve.
-Aahahahahhahahhaahahahahahhaha-gargalhou- é por isso que sua aparência é tão...Frágil. oooohohohohohohohohohoho, você pensa que as coisas são simples assim? Alguém diz que você está errada e você simplesmente muda de direção sem mais nem menos? E quanto ao que você quer fazer? Seu destino se invalida tão fácil assim?  Aaaahahahahhahahhaahahahahahhaha, é por isso que sua aparência é tão... Frágil. Olheiras fundas, pele pálida, olhar opaco, sem nenhuma ideia de para onde está indo.
-Como a senhora-
-O que foi?-ela me interrompeu- Cansada de andar? Procurando alguém para obedecer? Ou finalmente se tocou no que fez consigo mesma?
-O que eu fiz...
-Ohohohohohohoho, que trágico! Que trágico! Porém...- ela me olhou com uma expressão curiosa e, por um momento, pensei ter viato a cor de seus olhos mudarem de negros para âmbar.-Mais uma alma perdida para minha sopa! Alguém tão fraca como você deve servir de refeição para alguém maior, mais forte e, principalmente, com fome.
-O quê?!- gritei- Você vai me matar?! Mas, mas... Eu pensei que... Aquilo tudo que a senhora disse, eu... Eu achei que a senhora...
      Não consegui segurar as lágrimas. Estava assustada, confusa e não queria morrer tão cedo. Botei as mãos sobre o rosto e ajoelhei-me no chão, esperando pelo pior.
      Mas o que ganhei foi um afago na cabeça.
-Não se preocupe, querida, não precisa chorar.- uma doce voz, quase que como uma melodia, disse- Isso foi apenas para testar sua alma. Ela é bem humilde, devo dizer. Droga, ela acertou de novo...
       Levantei a cabeça e me deparei com uma moça linda, morena, de olhos cor de âmbar e longos cabelos castanhos ondulados me olhando um pouco sem jeito. Ela usava um chapéu pontudo velho e surrado com uma estrela na extremidade. Suas roupas eram escuras com detalhes excêntricos, como o pato amarelo que estava no lugar da fivela de seu cinto.
       -Quem acertou de novo? E como você sabia daquilo tudo sobre mim?

- Então, foi essa minha amiga me contou sua história antes de você chegar aqui! Ela nunca errou quando disse que encontrou um feiticeiro de luz, mas eu duvidei de que ela fosse tão "infalível" quanto ela diz que é. Então eu fiz aquilo para ver se você era legal mesmo!
       Ela deu um sorriso visivelmente forçado enquanto observava minha reação. Ela era definitivamente esquisita, mas nada com que eu não podesse me acoatstumar.
-Mas que amiga é essa que você tanto fala?
-Ora! A águia que te trouxe aqui, trouxa!- ela bateu na testa com o punho fechado, fazendo um sinal de que aquila era um pergunta idiota.
-Mas... Águias não falam.-constatei humildemente
 -Hihihi, elas falam sim, se você quiser ouvir.-ela esticou um dos  raços e sua amiguinha pousou em seu pulso. Pensei no quão dolorosas seriam aquelas garras.
        Ela a trouxe para perto de seu rosto e a ave chegou perto de seu ouvido, como se fosse contar-lhe um segredo.

-Oh, mas que modos os meus!- a moça quase berrou- Obrigada por me lembrar, Dim. Deixe-me apresentar-me! Meu nome é Claewacavlalenjuloudraislictorcimine, mas pode me chamar de Íris. Já olhou bem para meus olhos? Eles mudam de cor.- ela olhou fixamente para mim e era verdade! O âmbar que era negro agora adquiriu um leve tom de violeta.
-E eu não sou tão velha quanto parecia ser.-continuou- Eu sou muito mais! Hihihihi. Mas então? Aceita um café ou uma xícara de chá? Não, não, espera, deixe-me ver... Você é intolerante à cafeína, mas adora chá de... Hortelã, certo?
-Sim!
-Hortelã com bastante açúcar!
-SIM!!!
-OH YEAH! PONTO PRA MIM, DIM!-Ela fez uma dancinha da vitória enquanto ia para a cozinha preparar a água. Dim, a águia, parecia quase envergonhada. Ela voou para uma casinha de palha em um canto da sala, que eu deduzi ser seu ninho.

       Apesar de ter um jeito peculiar, Íris é boa. E sábia. Mas vou ter que escrever sobre ela e Dim um outro dia. Dona Esmeralda fez macarrão com ovoe está me chamando para jantar! E de sombremesa, tem brigadeiro, mas sem granulado. Ela acabou comendo tudo sem querer na hora de confeitar os docinhos. Dona Esmeralda adora granulados! No Natal, vou arranjar uma jarra cheia daquilo para dar de presente para ela. Aaaah, ela vai adorar!!!