Não só consigo caçar e pegar frutas altas, mas também estou melhor em todo aspecto possível!
Estou mais disposta, mais bonita, mais habilidosa, mais confiante, mais tudo! Eu nem me sinto mais como eu mesma, aquela fracassada, desajustada, abandonada e assustada. Agora me sinto um ser celeste capaz de canalizar luz em qualquer canto escuro.
Não sou mais Peregrina e agora eu tenho um nome de verdade:
Lunna.
Eu sou tudo o que Peregrina gostaria de ser e mais. Eu sou a melhor versão dela mesma que ela nunca poderia ser.
Eu ascendi para além dela.
Minha única ligação com minha antiga eu Peregrina são os sonhos estranhos, que se tornaram pesadelos para mim. Assisto Peregrina sofrer toda noite, lembrando-me de cada detalhe de sua tortura: os rostos distorcidos que estão sempre a debochar dela, a floresta escura na qual está sempre a se perder e as vozes que ora gritam ora sussuram que ela nunca mereceu felicidade e que passará a eternidade no inferno na vida e na morte.
Admito que gostaria de apenas acordar cansada sem memória de tudo isso como ela acordava, mas ser Lunna faz as memória horrendas valerem a pena.
Eu sou melhor que minha antiga eu. Eu ascendi. E se assistir Peregrina sofrer é o o preço a ser pago, eu aceito de bom grado.
Afinal, ela merece sofrer por não ser eu.